sobre teu ser
Meus olhos brilham
por te ver
Meus olhos fumaçam
de tanto querer.

Qual a lógica desse querer?
Qual a lógica desse ver?
Qual a lógica desse ser?
Que lógica existe em tanto querer saber?
Ah coração leviano...
Acaso perdeste o rumo?
Não vês que o tempo passa?
Porque tanto descuido?
Porque tanta desatenção?
Queres que morra em mim
o desejo de ver teus olhos?
de sentir teu cheiro?
de encantar-me com tua presença?
Desvela-me! Olha a hora!
Interroga-me! Olha a hora!
Abraça-me! O tempo é agora,
não deixe que vá embora.
Rosita Ribeiro - 29/11/08
Tuas lanternas acesas,
Soltam raios amarelos esverdeados
sobre mim...
Sinto tua súplica, teu pedido
E me assusto diante desses faróis de sonhos.
Eles cobram, suplicam, ordenam, perguntam...
Preciso fugir! O tempo urge...as cicatrizes abrem... a dor quer renascer
Nas noites frias fui o teu abrigo... o teu roteiro, o teu sentido, a tua luz.
Belas lanternas acesas... a dor passou, o tempo curou...tudo mudou...
Caíram os disfarces, apagaram-se as luzes e a cena mudou!
Rosita Ribeiro 17/11/08
“Existe mais poesia no olhar de quem ama de que em mil poemas que se escreva, mas nem por isso devemos deixar de escrever mil poemas para mostrar ao mundo o que esse olhar diz...”
O olhar do professor (Eugênio Cunha)
Ao mesmo tempo em que são sensores do corpo, os olhos são reflexos dele. Ao mesmo tempo em que impactam, são impactados. É interessante a metáfora que há entre os olhos, com relação ao corpo e o professor, com relação à educação. Os olhos percebem a luz e transmitem as informações das imagens ao cérebro que as transformam em conhecimento. O professor não pode sozinho gerar o conhecimento, assim como os olhos, mas é o mediador da sua concepção, podendo levar luz ou manter o educando na obscuridade. “Se teus olhos forem bons, todo teu corpo terá luz”
Os olhos expressam as reações do nosso organismo como a dor, a alegria, a tristeza, o sorriso, a lágrima. Há pessoas que sorriem com os olhos. Dizem com os olhos o que não dizem com as palavras. Os olhos são expressões das nossas emoções. Com eles acolhemos ou rejeitamos, focamos ou ficamos dispersos. Expressamos com o nosso corpo, em gestos, o que nossos olhos confessam, sem exigências de palavras.
Os olhos têm o poder de encorajar-nos, e ganham intrepidez na verdade. De quando em vez, desviam-se para ocultar enganos. Insistem em olhar quando falam de amor; distraem-se, quando falam descompromissadamente. Os olhos do aluno estão sempre mirados no professor e, em alguns momentos, mostram reverência. Quando o professor retribui o seu olhar, o aluno constrói sua segurança. É a disponibilidade do olhar do professor para o aluno que encurtará a distância entre os dois.
Em todos os momentos da sua aula o professor fala ao aluno, mas nem sempre o escuta. Seus gestos são sempre observados e, da mesma forma que ele deixa as suas impressões, o aluno deseja deixar as suas. Se o professor é dinâmico, a turma dinamiza-se. Se é divertido, a turma descontrai-se. Se usar de carranca, as aulas tornam-se carrancudas. As impressões deixadas pelo professor podem virar digitais na identidade do educando, porque seus olhos observam o professor em toda sua maneira de ser. No espaço da sala de aula, o professor será o modelo. A responsabilidade, naturalmente, é bem grande.
Nesse contexto, é apropriado ao professor olhar o aluno com grande acuidade: o aluno não precisa ser sua imagem refletida, um amálgama seu. Cada aluno é um ser único que precisa conquistar sua identidade. O respeito a essas diferenças é que formará a sua autonomia e o resgate da sua segurança para ser o que deve vir a ser. Diferenças na educação são superadas pela maneira como o professor olha seu aluno. Ele é o mediador em sala. Decerto, quem deverá dar o primeiro passo, criando oportunidades para o enriquecimento das relações de aprendizagem.
Olhar com acuidade significa olhar com zelo, com percepção. Olhar os olhos do aluno. Não somente ver as coisas visíveis, mas as que ainda não foram reveladas. Os anseios, ansiedades, dúvidas e sonhos, o que não se revela, muitas vezes, em palavras. O olhar do aluno é potencialmente revelador. Quando descortinado ganham significância na relação com o professor.
Rubem Alves estava certo: “O olhar de um professor tem o poder de fazer a inteligência de uma criança florescer ou murchar”.
“APRENDA A OLHAR”
(PE. LÉO, SCJ)- DO LIVRO “GOTAS DE CURA INTERIOR”
Uma das maiores causas – se não a maior – de nosso sofrimento é a maneira como enxergamos a vida e tudo aquilo que nos acontece. Na verdade, não são os acontecimentos que nos fazem sofrer. Sofremos pela maneira como olhamos para os acontecimentos. Todo ponto de vista é a vista a partir de um ponto.
Quando privilegiamos um ponto negativo, passamos a enxergar tudo com as lentes da negatividade.
O pior não está nem tanto no olhar negativo, mas na concentração estragada, encardida do olhar.
Precisamos aprender a olhar a vida pela ótica de Deus. Para isso, necessitamos de alguns exercícios contínuos de aprendizado do olhar:
- Olhar a vida como dom e presente a ser cultivado; como graça que precisa ser acolhida com responsabilidade e gratidão.
- Olhar a morte com a serenidade de quem sabe porque vive. Aliás, só tem dificuldade de olhar a morte quem não aprendeu a saborear a vida. Jesus ensinou, em Bethânia: “Se creres, verás a glória de Deus” (João 11,40).
- Olhar para si mesmo com paciência e generosidade. Às vezes é mais fácil ser generoso com os outros do que com a gente mesmo. Tem muita coisa que gostaríamos de mudar em nós que só depende de nós, mas que ainda não conseguimos. Paciência e perseverança.
- Olhar para os outros sem as armas que costumamos trazer escondidas no coração, pelo preconceito, pela inveja, pelo medo, pelo ciúme. Olhar para os outros como convite para a nossa própria melhora.
- Olhar para as coisas dando-lhes o devido lugar. Nada nem ninguém que esteja fora do coração humano é capaz de preenchê-lo.
As coisas são instrumentais que nos ajudam, mas não podem ser absolutizadas.
- Olhar com caridade para aqueles que nos machucam – caridade suficiente para compreendermos que, como nós, são pessoas limitadas, fracas, falhas, sujeitas aos dissabores da vida.
- Olhar com gratidão para as pessoas que nos amam, procurando corresponder a elas. Saber-se amado é gota fundamental de cura, em qualquer tempo, para qualquer idade.
- Olhar com humor: o humor é fundamental para o equilíbrio humano. Ele nos dá a graça de tomarmos distancia de nós mesmos e dos acontecimentos. Ele nos permite colocar todas as coisas em perspectiva e tirar o tom dramático dos acontecimentos.
O humor ajuda a ver a vida com olhos novos, com novos pontos de vista.
O humor realça as incertezas de nossa vida, mostrando-nos que ela não é previsível.
Viver é acolher cada dia, como novo – completa e absolutamente novo.
O humor nos ajuda a perceber que as coisas são relativas.
Quem é muito sério acaba se achando muito importante e por isso não gosta do humor, que poe em risco a máscara, a couraça, a casca que reveste o balão do orgulho prepotente.
O humor ajuda a desinchar o balão, pois quebra a casca.
E tu vais assim, tão mansamente como chegaste
Nos lábios um sorriso, nos olhos uma dor.
No coração anseios de esperanças
Prenúncios de um novo futuro?
Certezas de outro amor?
E eu vou ficando por aqui olhando esse teu “INDO”
Vou saindo de ti e te perdendo de mim
Num desespero surdo e sem alento
Inerte e impotente, já chegando ao fim.
Quero reter-te, mas ainda assim não devo
Sei que precisas seguir o teu caminho
Já não tenho ilusões, mas quero que te lembres
De quem te ama e vai ficar sozinho
E se um dia voltares e me vires rindo
Não creias que por isso eu não sofri
Pois o palhaço chora sob a maquiagem
E por sobre o picadeiro...ele sorri.
Setembro/1995
Se queres saber de mim não olhes os meus retratos julgando saber-me assim.
Se queres saber quem sou, não busque nas minhas respostas quando perguntas onde vou.
Se queres saber quem é esta que te sorri não olhe para a mulher.
Que não me saberás pelo sorriso, não me conhecerás pelas respostas.
Meus retratos são imprecisos, a cada dia traço novas rotas.
Se queres porventura, um dia, entender deste coração, olhe meus olhos primeiro: é neles que mora a poesia que me explica dia após dia e me mostra por inteiro.
Se queres saber-me de fato, recomendo-te menos cuidado, muito carinho, pouca fala, mais riso e tato, muito tato.
Débora Cristina Denadai