terça-feira, 1 de abril de 2008

OLHAR CIRCUNDANTE - BELÉM

Olhando Belém
Nilson Chaves - Composição: Vital Lima

O sol da manha rasga o céu da Amazônia
Eu olho Belém da janela do hotel
As aves que passam fazendo uma zona
Mostrando pra mim que a Amazônia sou eu
E tudo é muito lindo
É branco, é negro, é índio
No rio Tietê mora a minha verdade
Sou caipira, sede urbana dos matos
Um caipora que nasceu na cidade
Um curupira de gravata e sapatos
Sem nome e sem dinheiro
Sou mais um brasileiro
Olhando Belém enquanto uma canoa desce um rio
E o curumim assiste da canoa um boing riscando o vazio
Eu posso acreditar que ainda da pra gente viver numa boa
Os rios da minha aldeia são maiores do que os de Fernando Pessoa
e o sol da manha rasga o céu da Amazônia
Olhando os meus olhos de verde e floresta
Sentindo na pele o que disse o poeta
Eu olho o futuro e pergunto pra insônia
Sera que o Brasil nunca viu a Amazônia
E vou dormir com isso
Será que é tão difícil

Olhar Belém é acompanhar o Círio de Nazaré, é ver barcos descendo rios, é ver o tucupi fervendo, é ver mãos feridas da corda, é ver carimbó, é ver bocas sujas de açaí, é ver manga caindo nas ruas, é ver túnel de mangueiras, é beber suco de cupuaçu, é comer creme de graviola, é ouvir Nilson Chaves e Fafá de Belém, é passear na Praça Batista, é comprar na feirinha da Praça da República, é sentir a chuva da tarde, enfim, é enamorar-se das belezas da cidade.







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